
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Nada!
Nada se diz hoje
quando a chuva cai
e a dor faz sombra
aos transeuntes
que caminham sem
destino, sem fé.
Nada se diz ...
Nada se diz hoje
quando a lágrima
acolhida pelo flagelo
da miséria da alma
e do corpo
não é reconhecida.
Nada se diz
Nada
Nada se diz hoje
quando o grito
e o silêncio
se fazem sofrimento
em cada canto
desse mundo.
Nada se diz... ou se faz...
Nada!
Palavras Repetidas Gabriel O Pensador
A Terra tá soterrada de violência
De guerra, de sofrimento, de desespero
A gente tá vendo tudo, tá vendo a gente
Tá vendo, no nosso espelho, na nossa frente
Tá vendo, na nossa frente, aberração
Tá vendo, tá sendo visto, querendo ou não
Tá vendo, no fim do túnel, escuridão
Tá vendo no fim do túnel escuridão
Tá vendo a nossa morte anunciada
Tá vendo a nossa vida valendo nada
Tô vendo, chovendo sangue no meu jardim
Tá lindo o sol caindo, que nem granada
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo o suicida na direção
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar a verdade não há"
A bomba tá explodindo na nossa mão
O medo tá estampado na nossa cara
O erro tá confirmado, tá tudo errado
O jogo dos sete erros, que nunca pára
7, 8, 9, 10... cem
Erros meus, erros seus e de Deus também
Estupidez, um erro simplório
A bola da vez, enterro, velório
Perda total, por todos os lados
Do banco do ônibus ao carro importado
Teu filho morreu? meu filho também
Morreu assaltando, morreu assaltado
Tristeza, saudade, por todos os lados
Tortura covarde, humilha e destrói
Eu vejo um Bin Laden em cada favela
Herói da miséria, vilão exemplar
Tortura covarde, por todos os lados
Tristeza, saudade, humilha e destrói
As balas invadem a minha janela
Eu tava dormindo, tentando sonhar
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
porque se você parar pra pensar a verdade não há"
Sou um grão de areia no olho do furacão
Em meio a milhões de grãos
Cada um na sua busca, cada bússola num coração
Cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação
Nem sempre se pode ter fé
Quando o chão desaparece embaixo do seu pé
Acreditando na chance de ser feliz
Eterna cicatriz
Eterno aprendiz das escolhas que fiz
Sem amor, eu nada seria
Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias
De todas as falanges, e facções
Ainda que eu gritasse o grito de todas as Legiões
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na Vida?
Felicidade, Paz, fé...
Felicidade, Paz, Sorte
Nem sempre se pode ter Fé, mas nem sempre
A fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte.
À flor da pele
Rasgo o canto dos olhos
com um largo sorriso,
com o sal das minhas lágrimas.
Sonho De Uma Flauta
O Teatro Mágico
Nem toda palavra é
Aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho
Que não sabe bater asa
Passarinho voando longe
Parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá
A gente parece formiga
Lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce
Mas as vezes né doce não
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Hum... E o mundo é perfeito
Hum... E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Sei que incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem riso que parece choro
Tem choro que é por alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem aquele que parece feio
Mas o coração nos diz que é o mais bonito
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Mas sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito...
Atemporal
Que o objeto do meu desejo
colha orvalho com a própria língua
e, num ardente beijo,
não me deixe morrer à míngua.
Suscite as estrelas cadentes
adormecidas em meu colo
e, com olhar quente,
faça do amor mais que consolo.
Provoque toda a alegria
das sílabas abraçadas em rimas.
E no caminhar dessa poesia,
a vida renasce e se ilumina.
Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer as vezes que as vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou, voce pra mim mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo.
Cuida de mim enquanto não esqueço de voce
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de voce
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo.
Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas crio asas viro querubim
Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atras se voltar atras assim como eu.
Busquei quem sou
Voce pra mim mostrou
Que eu não estou sozinho nesse mundo.
Cuida de mim enquanto não esqueço de voce
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de voce
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
MEL
Particularmente sempre achei exagerada a relação de algumas pessoas com os animais. Quando o assunto era animal de estimação, aquilo me intrigava ainda mais. Nunca fui de ter qualquer atitude que fosse prejudicar um animal, mas, sinceramente, nunca quis ter um animal de estimação.
Meados de agosto, noite fria, dia do aniversário do meu filho. Batem à porta. Ao abri-la, estava, a sorrir e com uma cachorrinha bebê meio vira-lata nos braços, uma grande amiga minha. Lembrou-se do aniversário do meu filho e quis presenteá-lo de uma forma diferente.
O que fazer, meu Deus!
Meu filho e minha filha viram a cachorrinha nos braços de Vitória e foi amor à primeira vista.
-Meninos, não podemos. Vejam bem, eu não tenho tempo para cuidar. E vocês nunca cuidaram de um animal de estimação.
- Ah, mãe, porque você nunca deixou que a gente tivesse um...
Risadas e, para mim, momento desconcertante, contribuíram para a permanência daquele bichinho tão pequenino.
Deram-lhe o nome de Mel, porque tinha um olhar que nos lambuzava. Marrom, de olhos azuis. Hoje, por ironia do destino, cor de mel.
Tudo foi improvisado para aquele momento. Eu tinha um balde grande. Coloquei-a nele, peguei cobertas velhas e a cobri, embrulhadinha. Dormiu no meu quarto. Não foi apenas uma noite não. Foram muitas.
Rapidinho se habituou a fazer as necessidades no gramado do jardim. Porém, isso acontecia também nas noites muito frias e chuvosas.E para limpar o jardim não era muito fácil. Notei que as roseiras ficaram mais viçosas... Uma gripe forte pegou-me ao longo desses cuidados.
Afinal, o que estava havendo comigo? Não sabia explicar.
Mel foi crescendo amada e muito saudável. As peraltices cresciam junto. Estragou mais de um par de chinelos, alguns tapetes, até a churrasqueira, cavando em alguns tijolos quebrados, comendo tudo o que visse pela frente.
Certo dia, ao chegar em casa, após o trabalho, notei que a Mel não estava nada bem. Quando meus filhos chegaram do colégio, ficaram desesperados, porque me viram angustiada. Aproximei-me da Mel, passei a mão sobre a cabeça dela e senti que ela estava com febre. Seus olhos, tão cativantes, estavam muito tristes. Tão tristes que me fizeram chorar. Foi o bastante para as crianças desabarem em lágrimas.
Chamei o veterinário:
- Infecção intestinal. Ela vai ficar boa, após aplicação desse antibiótico. Esse tipo de cachorro come tudo o que vê pela frente. Com certeza, vocês terão mais sustos com ela. Guardem o nome do remédio. Irão precisar.
O susto passou e, por enquanto, não precisamos mais do remédio, cuja embalagem continua guardada.
Hoje penso na ternura, no amor incondicional, na pureza desses animais. Coisa que nunca tinha percebido. Vejo que não dá para ser feliz completamente, sem a presença dela.
Mel continua muito arteira e me encanta a cada sapato que pega e sai, em disparada, com ele na boca. A cada vez que corre para um colchão-reserva, que tenho debaixo da cama e no qual ela adora se deitar. A cada vez que vem me receber, toda feliz, quando chego do trabalho, deitando para que eu lhe faça carinho.
Definitivamente Mel influenciou uma mudança em mim. E para melhor.
MULHER
MULHER
Metamorfoseias em crisálidas
tuas formas e cores.
Dobra-te sobre tuas asas,
no descanso ou na reflexão
do teu dia.
Alimenta-te vorazmente
dos teus anseios, desejos,
Vales escondidos...
Absorves o néctar das flores,
o suco das frutas,
o mel da tua própria essência.
Polinizas consciências, corações,
tantas almas.
De espírito imortal,
ressurges com toda a potencialidade
do Ser.
Anoiteceu no mar
Anoiteceu no mar.
Da triste e bela noite,
respingou-se saudade
doída e vívida.
As ondas,
crespas e voluptuosas,
trouxeram lembranças
em suas cristas.
A noite, então,
tornou-se plena
e ainda triste,
e ainda bela.
Por fim, cansada
de tamanho esforço,
debruçou-se
sobre si mesma,
para adormecer no mar.
Carnaval
Máscaras cobrem
esses dias de folia,
talvez
todos os nossos dias
Pierrô pinta
o rosto e a esperança,
Colombina
em seus braços de palhaço.
- Ai, Colombina, tua
dura indecisão
serpenteia entre
dois corações.
O triângulo se faz.
Arlequim mascarado,
em triângulo (amoroso),
saltita, espertalhão,
no coração da moça.
Ela roda e canta e dança,
pela madrugada.
Pierrô, de olhos triste
e boca escancarada,
divide o coração da
da foliona, entre
o palhaço e o canalha.
Essa história não tem fim.
É a história das nossas horas,
dos carnavais de outrora
e dos que ainda estão por vir.
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